quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Especial Círculo das Ideias: O Pó Branco - Arthur Machen


Meu nome é Leicester. Meu pai, major-general Wyn Leicester, um destacado oficial da artilharia, morreu há cinco anos vítima de uma complicação renal que adquiriu no clima inóspito da Índia. Um ano mais tarde, meu único irmão Francis, voltou para casa após uma carreira excepcionalmente brilhante na universidade estabeleceu-se, com a resolução de um eremita, para tornar-se perito no que tem sido chamado, apropriadamente, de a grande lenda da lei. - Arthur Machen
O pó branco é uma novela escrita em 1895 originalmente publicada como The Novel of the White Powder e trás em sua narrativa envolvente, porém repetitiva.

A narradora está preocupada com o irmão, que, com a intenção de se tornar um advogado,  se dedica exacerbadamente aos seus estudos até o ponto de obsessão. Sua saúde parece estar diminuindo de estresse e cansaço. Finalmente, ela o convence ver um médico. Ele retorna com receita médica, e logo ele é mais extrovertido e relaxado - até demais.

É impressionante como Machen previu os tempos modernos ou os estudantes que frequentam o vestibular, que hoje chegam a tomar remédios para passarem e manterem o foco.

A história peca como em todas as outras do autor até então: depende de uma chance aleatória e eventos altamente improváveis. O químico certo, o corpo encontrado, o broche caído, a carta que leva ao pacote... enfim, até agora seu modus operandi de escrita não muda ou alterna - um fato marcante e que decepciona.

A história ganha notoriedade com Lovecraft quando ele o cita em seu ensaio O Horror Sobrenatural em Literatura 

O AUTOR
Arthur Machen nasceu em 1863 e teve uma característica que marcou sua vida e obra: sobrenatural. Seu estilo de narrativa apresenta muitos elementos místicos distribuídos por seus contos e novelas. Fez parte da Ordem Hermética da Aurora Dourada, um seleto grupo de ritual de magia que contou entre os seus membros também William Butler Yeats, Aleister Crowley e Algernon Blackwood. Na década de 1890, a sua escrita adquire uma nova reviravolta: contemporânea torna-se tanto em estilo e tema. Com estabilidade econômica garantida graças a uma herança, cria-se o espaço criativo para sua mais famosa obra: The Great God Pan: narrativa que mistura sexo, paganismo e horror. Outro marco em sua vida é o sucesso de The Archers, que deu origem a lenda dos Anjos de Mons: o primeiro encontro importante entre as marinhas britânica e alemã na 1° Guerra, onde os ingleses foram socorridos por seres celestiais. Morreu em 1947, aos 84 anos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Notícias: Eventos Literários, Rodrigo Kmiecik e Oscar Nestárez


Dois eventos esse sábado (11) podem atrair o mundo geek de modo geral: a Feira Intergaláctica Aleph que já está em sua quarta edição e 5ª edição do Clube LeYa de Ficção Fantástica. A sequência que cada um vem sendo executado pode-se dizer que são eventos que podem se continuarem no mesmo ritmo vão se tornar tradicionais - uma coisa que não pode faltar no calendário de cada um.

A feira é organizada pela Editora Aleph. Nesse dia o público tem mais contato com os profissionais que trazem os livros e fazem eles serem publicados. Os bate-papos ficam com Fabiola Forchin e Gabi Colicigno ao 12h00 (As personagens femininas no universo STAR WARS), Nathan Fernandes e Kim Dória às 14h00 (Utopias e distopias: ficção científica e pensamento crítico), e encerrando temos Cláudia Fusco às 16h00 (Isso é Muito Black Mirror: Uma Introdução à Ficção Científica). O evento vai das 11h00 às 19h00 na Nave-Mãe - Rua Henrique Monteiro, 121, Pinheiros (próximo ao metrô Faria Lima, Linha Amarela).

A LeYa Brasil e a Saraiva, em parceria com o site Acervo do Leitor e o grupo Reino dos Livros, estão de volta para mais uma edição do Clube LeYa de Ficção Fantástica, agora com o tema Universos literários: quando um livro vai muito além de um livro. Dos cânones até obras apócrifas: tudo o que você precisa para saber sobre obras de Brandon Sanderson e Robin Hobb. O evento acontecerá na Saraiva do Shopping Center Norte, ao lado da Estação Portuguesa-Tietê às 16h00.


Depois do sucesso do primeiro número da revista Diário Macabro, foi anunciado que vai ser feito o segundo volume através de financiamento coletivo - como feito anteriormente. Ele começa dia 20 desse mês, provavelmente no Catarse com uma entrevista com Rubens Francisco Lucchetti - o maior nome do pulp nacional. A revista tem como objetivo divulgar o trabalho de escritores de horror de todo o Brasil. Um dos selecionados foi Rodrigo Kmiecik, colunista do Golem com sua narrativa A noite dos seres negros e  Daniel I. Dutra tradutor da Editora Clock Tower com seu A filha do Professor Carletti. O conto do Rodrigo terá resenha aqui no site. Acompanhem.

Já outro evento é do lançamento de Bile Negra, do autor Oscar Nestárez. Lançado pela Editora Empíreo, a narrativa conta como uma pandemia se espalha por bairros, cidades e países cabendo a Vex, um jovem tradutor, precisa recrutar todas as suas forças para conter este avanço.

Nascido em São Paulo, Oscar Nestarez é Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Pesquisador da literatura de horror, sobre a qual já publicou diversos artigos e o estudo Poe e Lovecraft: um ensaio sobre o medo na literatura (2013). No campo da ficção, é autor das antologias Sexorcista e outros relatos insólitos (2014), Horror adentro (2016) e Vampiro: Um livro colaborativo (2017). Bile Negra é seu primeiro romance.

O lançamento vai ser na Casa do Saber Fantástico - Casafan, Rua Fradique Coutinho, 1139 - Pinheiros - São Paulo - SP (a cinco quadras da estação de Metrô Fradique Coutinho). No dia 30 de novembro, a partir das 19h00. E quem marcar presença ainda vai poder degustar uma cerveja especial feita pela cervejaria Cerveja Juan Caloto, porque um lançamento desses merece um brinde.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O MESTRE DO OCULTO - Arthur Machen


Novo livro da Editora Clock Tower, disponível em edição limitada. Esse livro pode ser adquirido aqui nessa Webstore. Trata-se de um livro com obras de horror sobrenatural muito bem selecionadas do famoso autor galês do século XIX, o mestre Arthur Machen. Machen influenciou muito a carreira de autores como Stephen King, Peter Straub e H.P. Lovecraft. Embora esse livro de Machen seja de horror, cabe lembrar que a editora tem material já traduzido para pelo menos 2 livros do autor no gênero fantasia.

O sinete negro
Um jovem brilhante

*Detalhe que foi frisado mas que requer mais atenção: O grande deus Pã de Machen serviu de base para a novela O horror de Dunwich de H.P. Lovecraft. Enquanto a novela de Machen é uma obra mística e enigmática, a de Lovecraft é um tanto maniqueísta - a luta de seres humanos contra um mal vindo contra o espaço sideral e a prole maldita: Mary tem uma filha com Pã, e Lavinia tem um filho com Yog-Sothoth.

Especial Círculo das Ideias: O Povo Branco - Arthur Machen


— Feitiçaria e santidade – disse Ambrose – são as únicas realidades. Cada uma leva a um êxtase, a uma fuga da vida comum. - Arthur Machen
Se for alguém lendo a história qual é o impacto dessa história dentro na trama desse outro personagem, mesmo que não seja o impacto em ação, o que simboliza a história de um personagem dentro da motivação do outro? Em O Povo Branco podemos ler essa resposta.

Publicado originalmente em 1904, a narrativa é dividida em três partes, Prólogo, O Livro Verde e Epílogo, vemos um debate entre Cotgrave e Ambrose sobre a origem do mal e do pecado, na qual o último para provar a sua argumentação para o primeiro, empresta um diário de uma jovem que foi filha de um amigo seu.

No diário, a jovem protagonista conta suas experiências e contatos com o Povo Branco de forma ingenua, acreditando que eles são bondosas entidades dos contos de fadas que sua babá contava quando criança. Ela não imagina o resultado catastrófico ao entrar em contato com forças além de sua compreensão.

O conto é demasiadamente longo. Poderia ter  menos da metade do tamanho cortando detalhes e informações que não são necessárias à trama ou à experiência - o que apresenta um esforço singular do autor para criar o ambiente. Claro, isso olhando pela perspectiva de hoje: no século do XIX (o conto foi escrito nos final daquele século) as descrições eram longas - um mal romântico daquele século.

O AUTOR
Arthur Machen nasceu em 1863 e teve uma característica que marcou sua vida e obra: sobrenatural. Seu estilo de narrativa apresenta muitos elementos místicos distribuídos por seus contos e novelas. Fez parte da Ordem Hermética da Aurora Dourada, um seleto grupo de ritual de magia que contou entre os seus membros também William Butler Yeats, Aleister Crowley e Algernon Blackwood. Na década de 1890, a sua escrita adquire uma nova reviravolta: contemporânea torna-se tanto em estilo e tema. Com estabilidade econômica garantida graças a uma herança, cria-se o espaço criativo para sua mais famosa obra: The Great God Pan: narrativa que mistura sexo, paganismo e horror. Outro marco em sua vida é o sucesso de The Archers, que deu origem a lenda dos Anjos de Mons: o primeiro encontro importante entre as marinhas britânica e alemã na 1° Guerra, onde os ingleses foram socorridos por seres celestiais. Morreu em 1947, aos 84 anos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Especial Círculo das Ideias: Ao abrir a porta - Arthur Machen


Devo admitir, antes de mais nada, que, durante meus cerca de 10 anos em Fleet Street, encontrei alguns casos a que não faltavam estranhezas. Houve aquele de Campo Tosto, por exemplo, e que nunca chegou aos jornais. Campo Tosto era um belga radicado havia muitos anos na Inglaterra que tinha deixado todas as suas propriedades para o empregado que cuidava dele. - Arthur Machen

Escrita em 1931, Ao abrir a porta é uma narrativa propriamente de sugestão - a capacidade de demonstrar interconexão do mundano com o maravilhoso. É uma narrativa relativamente curta, e a primeira que não apresenta Dyson - escritor investigativo de coisas ocultas.

O narrador é um jornalista que investiga o desaparecimento e aparição do cientista e reverendo Secretan Jones, o "clérigo de Canonbury", como as manchetes o chamavam. A algo que ele quer esconder sobre esse fato - talvez, a entrada do paraíso.

Não é uma história propriamente um conto de terror - um leitor cuidadoso nota que o autor persiste que existe algo além deste mundo, um sentimento de que, mesmo que brevemente, o véu que separa o natural do sobrenatural foi levantado, que uma porta realmente foi aberta.

O AUTOR
Arthur Machen nasceu em 1863 e teve uma característica que marcou sua vida e obra: sobrenatural. Seu estilo de narrativa apresenta muitos elementos místicos distribuídos por seus contos e novelas. Fez parte da Ordem Hermética da Aurora Dourada, um seleto grupo de ritual de magia que contou entre os seus membros também William Butler Yeats, Aleister Crowley e Algernon Blackwood. Na década de 1890, a sua escrita adquire uma nova reviravolta: contemporânea torna-se tanto em estilo e tema. Com estabilidade econômica garantida graças a uma herança, cria-se o espaço criativo para sua mais famosa obra: The Great God Pan: narrativa que mistura sexo, paganismo e horror. Outro marco em sua vida é o sucesso de The Archers, que deu origem a lenda dos Anjos de Mons: o primeiro encontro importante entre as marinhas britânica e alemã na 1° Guerra, onde os ingleses foram socorridos por seres celestiais. Morreu em 1947, aos 84 anos.